10 filmes imperdíveis em cartaz atualmente (lista em ordem alfabética):
A Questão Humana
Um dos melhores filmes exibidos na Mostra Internacional de Cinema de SP no ano passado ainda está em cartaz em São Paulo. De forma original e com um ator excelente à frente do elenco (Mathieu Amalric, de O Escafandro e a Borboleta), o francês Nicolas Klotz fez um filme sobre as relações humanas dentro das grandes corporações.
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Nolan conseguiu dosar ação e fantasia nesse sombrio Batman. Com um quê de filme noir, os personagens principais (Batmam, Coringa e Harvey Dent) oscilam o tempo todo entre o que poderia ser o “bem” e o “mal” – temos aí um belo exercício de espelhamento. O Coringa de Heath Ledger dispensa comentários, mas o ator, sem dúvida, encerrou precocemente sua carreira de forma magistral. Oscar póstumo?
Do Outro Lado
Mais uma vez o alemão de origem turca Fatih Akin (Contra a Parede) explora as relações profundas entre os países europeus e suas ex-colônias recentes. O roteiro esquemático, no bom sentido, foi premiado no Festival de Cannes. Participação especialíssima da atriz Hanna Schygulla, musa de Fassbinder.
Fim dos Tempos
Shyamalan faz mais um filme em que habilmente consegue se equilibrar entre o entretenimento e o filme de conteúdo. Em tempos em que a natureza parece começar a cobrar a dívida dos humanos, um casal é colocado em questionamento perante si e os outros.
Medos Privados em Lugares Públicos
Há mais de um ano em cartaz, esse filme do mestre francês Alain Resnais (Hiroshima Mon Amour) é uma verdadeira aula de cinema. Várias histórias de relacionamentos se cruzam dentro de uma belíssima encenação nada naturalista. A montagem do filme é uma atração à parte. Sem falar dos atores, como Sabine Azéma e Laura Morante.
Na Natureza Selvagem
Filme baseado em livro jornalístico que narra a viagem sem volta de um jovem rumo ao Alasca. O importante aqui não é o que se busca e nem o fim do trajeto, mas a viagem em si. Num momento em que nada além das coisas materiais parece fazer sentido, o filme de Sean Penn é uma agradável e emocionante viagem. Trilha de Eddie Vedder.
Nome Próprio
Leandra Leal é uma das grandes atrizes de sua geração, a melhor talvez. E é mais do que ótima a oportunidade de vê-la fora da chatice das novelas quadradas e repetitivas da Globo. O filme de Murilo Salles é baseado em blogs e livros de Clara Averbuck, até então jovem que desejava se tornar escritora e divulgava na internet fatos de sua vida conturbada.
O Segredo do Grão
A questão do imigrante passou para o primeiro plano no século XXI. Nesse filme, uma grande família de imigrantes árabes tenta sobreviver dentro de uma França racista e cada vez mais intolerante. Destaque para as longas seqüências de um almoço em família e para o desfecho do filme, nos quais os costumes e as tradições árabes são habilmente registradas.
Um Beijo Roubado
Ainda dá tempo de ver o primeiro filme com produção americana do chinês Wong Kar Wai (Amor à Flor da Pele). Conhecido bela beleza estética de seus filmes, Kar Wai tira aqui seus personagens de um isolamento de ordem amorosa, que teve seu ápice em 2046, e coloca-os para interagir entre si. Ótimos atores (Natalie Portman, David Strathaim, Rachel Weisz) se juntam a estreante, nas telas, Norah Jones. Participação especial de Cat Power, que também canta na trilha do filme.
Uma Garota Dividida em Dois
Mais um elegante thriller do veterano francês Claude Chabrol. Dramas banais da classe média alta francesa se misturam ao universo de um escritor famoso. Chabrol faz um ótimo cinema e ao mesmo tempo uma crítica feroz ao moralismo e conservadorismo da França atual de Sarkozy.
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Anderson Vitorino
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18h20
PANORAMA do CINEMA FRANCÊS no BRASIL 19 a 26 de junho em São Paulo | 21 a 26 de junho no Rio de Janeiro
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Anderson Vitorino
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11h15
E o pai da história gostou do que viu
Independente do que críticos e público disserem, parece que Fernando Meirelles já está satisfeito com seu filme “Blindness”. José Saramago se emocionou com a adaptação e disse ainda que ao final se sentiu como quando acabou de escrever o livro. Meirelles escreveu um texto para o jornal Folha de SP de hoje relatando a experiência do último sábado. Veja o vídeo.
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Anderson Vitorino
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21h12
Manoel faz 100 anos
«Quando eu digo que o cinema não existe, que o que existe é o teatro e que o cinema é um processo de fixação audiovisual do teatro, é porque é aí que ele é rico, que é verdadeiramente distinto do teatro, que é rápido, que é efémero. Se eu digo que o cinema não existe, é da mesma maneira que podia dizer que a vida não existe, que o que existe de facto é o teatro. Porque a vida escapa-se-nos a todo o instante, o momento de agora é já perdido, e portanto o que nos resta da vida é o teatro».
No final desse ano, mais precisamente em 11 de dezembro, o cineasta português Manoel de Oliveira completará seu centenário, coisa que anda na moda ultimamente. Oliveira ama o cinema, ama a história de seu país e parece também amar a vida. Para muitos, os filmes desse português são chatos, parados, “coisa de crítico”, e por aí vai. Adepto a um cinema “antigo”, com a câmera quase sempre fixa, Manoel alerta os desatentos e os apressados: “Num plano fixo pode haver muito movimento". O diretor ganhou uma Palma de Ouro especial por sua filmografia sempre instigante, reflexiva, informativa e que nunca descola a forma do conteúdo. Preciso voltar a nadar e rever os filmes que eu gosto!
É no mínimo curioso ler o conselho do diretor/ator americano Clint Eastwood aos jovens cineastas: "Continuar sempre. Acredite em si próprio e alguém acabará acreditando também. A cada vez que fecharem uma porta, não desista". Do alto de seus 78 anos, desfilando ao lado de Angelina Jolie para apresentar um novo filme no Festival de Cannes, fica muito fácil falar uma coisa dessas. Olha a alegr$a estampada nos olhos dos dois. Acredito muito mais no senhor David Lynch, para quem esse tal cinema que anda por aí, já morreu. Resta saber quem vai enterrar. O velhinho Indiana Jones?
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Anderson Vitorino
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14h04
61º Festival de Cannes – Os festivais de cinema interessam a quem?
Começa hoje mais uma edição do “festival de cinema mais importante do mundo”. Esse epíteto é usado amplamente pela mídia que divulga e acompanha o tradicional festival que acontece anualmente na riviera francesa. Essa 61ª edição tem a obrigação de marcar os 40 anos passados desde maio de 68, mês símbolo de diversas manifestações políticas, culturais e sociais, que estouraram na França, mas também em outros países. Naquele ano o Festival de Cannes foi polemicamente interrompido e alguns filmes da competição nem chegaram a ser exibidos – alguns deles terão sessões especiais durante a edição presente.
Para muitos, o Festival de Cannes é o espaço para o “cinema de autor” (expressão que ganhou o mundo nos anos 60, a partir justamente da França e seus jovens críticos), mas isso ainda existe? Ou melhor, há realmente espaço para o “cinema de autor”? Quem pode ir ao Festival e ver esses filmes? Quais desses filmes chegam de fato ao público após receber aplausos e prêmios? Romanticamente, é possível encantar-se com a seleção de filmes do Festival e sonhar com a possibilidade de vê-los, talvez na Mostra Internacional de cinema (São Paulo), no Festival do Rio, ou ainda, em cartaz em algum cinema que ainda banque uma programação “alternativa”. É claro que me refiro aqui a filmes como “24 City” (Jia Zhang-ke), “My Magic” (Eric Khoo) ou ainda, “La Frontière de l’Aube” (Phillipe Garrel). Os “grandes” estão assegurados.
E quem abre a competição hoje é o brasileiro Fernando Meirelles e seu “Blindness”, baseado no livro do português José Saramago, “Ensaio Sobre a Cegueira”. Ao ler o livro eu pensava: como esse acontecimento será resolvido no cinema? Será que a atriz Julianne Moore vai se submeter a isso? Bom, parece que Meirelles enfrentou muitos problemas com o grau de violência que a história abarca e teve que reformular várias cenas, mas também parece que a ótima Julianne Moore se entregou pra valer. Ela é a esposa do médico (Mark Ruffalo), um dos primeiro a ser acometido pela cegueira repentina e inexplicada que ataca a população de um país indeterminado. O romance de Saramago subverte principalmente o provérbio que diz que em “terra de cego, quem tem um olho é rei”. A esposa do médico fica sozinha, ao lado do leitor, na primeira fila do espetáculo de perda de humanidade. E Meirelles não está sozinho. Outros brasileiros levam seus trabalhos ao festival francês. Walter Salles e Daniela Thomas apresentam “Linha de Passe” na competição oficial, Matheus Nachtergaele estréia na direção com “A Festa da Menina Morta” – exibido na mostra “Um Certo Olhar” – e ainda “O som e o Resto” de André Lavaquial também participa do festival.
Na competição oficial ainda há filmes de grandes diretores como Clint Eastwood, irmãos Dardenne, Atom Egoyan e Wim Wenders. Steven Soderbergh leva para o festival seu longo filme sobre Che Guevara, com Benício del Toro no papel-título. A Argentina também colocou dois filmes na seleção mais importante do festival: os dois trabalhos mais recentes dos ótimos Pablo Trapero e Lucrécia Martel. Cannes também verá uma homenagem ao centenário do realizador português Manoel de Oliveira e sessões especiais do novo filme de Woody Allen e da seqüência da série Indiana Jones. Emir Kusturica exibirá seu documentário sobre o polêmico jogador de futebol Maradona. Ah, a foto do cartaz é do mestre David Lynch, cuja filha Jennifer Lynch apresenta o filme “Surveillance”. O festival de Cannes vai até o dia 25 de maio.
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Anderson Vitorino
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10h12
É impossível dissociar o cinema do cineasta russo Aleksandr Sokúrov (1951) da relação do homem com a História. Por mais que alguns filmes pereçam pessoais, subjetivos, a ambientação em certo tempo e espaço é sempre fundamental. Os filmes de Sokúrov nem sempre agradaram o governo russo, mas o diretor recebeu apoio de um mito de seu país – o cineasta Andrei Tarkóvski – e também de fundos cinematográficos europeus. Sokúrov estudou História e cinema e trabalhou na TV antes de realizar dezenas de documentários e ficções.
E por falar em Andrei Tarkóvski (“Solaris”, “Andrei Rublev”), vale lembrar que Sokúrov é herdeiro direto do mestre russo, pelo menos no que diz respeito à manipulação do tempo no cinema. Em “Arca Russa” (2002), por exemplo, Sokúrov leva o espectador numa viagem de poucos mais de 90 minutos, num plano único, pelo museu Hermitage. O que Hitchcock tentou fazer em “Trama Macabra” e não conseguiu por limitação técnica, Sokúrov realizou com a ajuda do suporte digital.
“O Sol” é a terceira parte de uma tetralogia sobre grandes ditadores da história contemporânea. Tudo começou com “Moloch” (1999), no qual Adolf Hitler é observado na intimidade com sua amante Eva Braun, única pessoa capaz de ouvi-lo e contradizê-lo. Depois foi a vez de flagrar um momento crítico do outrora vigoroso Lênin, em “Taurus” (2001). Caso o projeto inicial venha a se concretizar, o próximo e último filme será sobre Stálin.
Tóquio, 1945. O imperador japonês Hirohito, considerado um descendente direto do deus sol, está praticamente cercado dentro de seu bunker, enquanto a população japonesa amarga a tragédia e a humilhação do fim próximo da II Guerra Mundial. É nesse momento de angústia e queda que se localiza o filme de Sokúrov. O ator Issei Ogata interpreta um imperador completamente desconectado da realidade exterior e a câmera de Sokúrov capta com sofreguidão os hábitos rotineiros desse representante de um império fracassado que nunca mais seria o mesmo.
Em “O Sol”, Hirohito precisa aceitar a derrota e para isso precisa se destituir da aura divina. Sokúrov observa essa transformação nos mínimos detalhes e o espectador vê o sofrimento pelo que passa o imperador nesse desmantelamento de sua figura. A “visita” do general americano marca a entrada indiscriminada do mundo ocidental e sua cultura em território japonês. “O Sol” participou da seleção oficial do festival de Berlim de 2005 e foi exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
O Sol, de Aleksandr Sokurov
(Solntse, RUS/ITA/SUI/FRA, 2005)
Com: Issei Ogata, Robert Dawson, Kaori Momoi, Shiri Samo
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Anderson Vitorino
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19h28
Promoção O Banheiro do Papa – Resultado
A vencedora da promoção foi Kiyoko Kohatsu. Parabéns, Kiyoko! Depois deixe seu comentário sobre o filme aqui no blog.
Em breve, mais promoções.
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Anderson Vitorino
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15h14
Para alguns um documentário, para outros uma ficção. A confusão de gêneros e a polêmica sempre estiveram ligadas às obras modernas e não poderia ser diferente com os trabalhos do brasileiro nascido na Itália em 1944, Andrea Tonacci. Ele veio para o país ainda na infância e se instalou em São Paulo, onde vive até hoje. A carreira cinematográfica teve início com curtas-metragens, como “Olho por Olho” (1965), e direção de fotografia em filmes de diretores já conhecidos, como Rogério Sganzerla.
Mas foi mesmo com o já mítico “Bang Bang” (1970) que Tonacci entrou para o grupo de diretores brasileiros e, com a licença da classificação, se tornou um dos mais importantes do Cinema Marginal (“movimento” basicamente paulista, das décadas de 60 e 70, que fazia cinema com pouquíssimo recurso financeiro e técnico).
Mais de 30 anos separam “Bang Bang” do trabalho mais recente, “Serras da Desordem” (2006). Tonacci não ficou parado durante todo esse tempo – deu aula, fez vídeos, mas o hiato é mais um indício de que o cinema desse realizador realmente não se atrela ao crescente comércio cinematográfico que se estabeleceu no Brasil a partir dos anos 90. É realmente difícil dissociar a figura de Tonacci da “Marginalidade”.
O tema indígena entrou na vida do diretor no final da década de 70 com as filmagens do documentário “Conversas do Maranhão” e outros projetos já nos anos 80. A idéia de “Serras da Desordem” apareceu pela primeira vez em 1993, mas as filmagens só começariam 10 anos depois.
De acordo com Tonacci, “Serras da Desordem” é seu segundo filme de ficção. Fica claro o posicionamento do diretor quanto ao poder de manipulação da imagem e ele leva essa experiência ao extremo na reconstituição que faz da vida do índio Carapirú – interpretado pelo próprio no filme. Planos longos, imagens sobrepostas e uso dramático do preto-e-branco em oposição, ou complemento, às cores, são alguns dos recursos de Tonacci para reencenar a trajetória de um índio pelo mundo selvagem dos “brancos”.
Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
(BRA, 2006)
Com: Carapirú, Tiramukõn, Camairú, Myhatxiá, Sydney Ferreira Possuelo, Luis Aires do Rego
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Anderson Vitorino
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15h11
Promoção – O Banheiro do Papa
Deixe um comentário com nome e e-mail e concorra a um par de ingressos para ver “O Banheiro do Papa”, uma co-produção Brasil-Uruguai. O filme é a estréia do uruguaio César Charlone como diretor, já que sua principal função é a direção de fotografia – ele foi indicado ao Oscar por “Cidade de Deus”.
“O Banheiro do Papa” conta a história de uma pequena cidade uruguaia, na fronteira com o Brasil, que vê sua rotina transformada pelo anúncio da visita do papa João Paulo II nos anos 80. O filme é simpático e, conforme disse um amigo, retoma um pouco tema e estética do neo-realismo italiano ao colocar a população pobre do lugar como protagonista da trama. O filme ganhou 5 prêmios no Festival de Gramado de 2007 (melhor filme segundo a crítica e o público, melhor ator, atriz e roteiro e também foi escolhido como o melhor filme da Mostra Internacional de São Paulo do ano passado segundo o júri internacional.
A promoção é válida para a Grande São Paulo e o resultado sai aqui no Blog no dia 2 de abril (próxima quarta-feira).
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Anderson Vitorino
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14h53
Esse é o segundo filme que resulta da parceria entre a diretora Laís Bodanzky e o roteirista – e também marido – Luiz Bolognesi. O primeiro trabalho foi o premiado “Bicho de Sete Cabeças” (2000) com Rodrigo Santoro no papel de um usuário de maconha que é internado pelo pai em um manicômio. Laís já dirigiu peças de teatro e também está à frente de projetos itinerantes de exibição de filmes.
A idéia e a vontade de realizar um filme sobre os bailes de salão são antigas. O casal visitou um baile certa vez e a impressão foi forte o suficiente para despertar a centelha de “Chega de Saudade”. Anos depois Laís e Bolognesi retomaram a idéia e aprofundaram a pesquisa em salões como o “Panelinha Baiana”, o “Cartola Clube” e o próprio “União Fraterna”, onde foi filmado o longa-metragem.
Assim como em “Bicho de Sete Cabeças”, o que mais importa em “Chega de Saudades” não são os acontecimentos em si, mas o que se passa no interior dos personagens em decorrência dos fatos. Nos moldes de “Short Cuts – Cenas da Vida”, de Robert Altman, Laís Bodanzky entrelaça a vida de vários protagonistas numa noite de baile. E o filme ainda dialoga com o que seria uma narrativa em tempo real.
Os personagens de “Chega de Saudade” são o maior destaque do filme, tanto pela complexidade humana que representam quanto pelos ótimos intérpretes escalados no elenco: Tônia Carrero, Leonardo Villar, Betty Faria, Cássia Kiss, Stepan Nercessian e os jovens Maria Flor e Paulo Vilhena. A multiplicidade de sentimentos, temperamentos e memória se espalham pelo salão, nos rostos, nos corpos e olhares dos atores que dão vida aos freqüentadores assíduos dos bailes da terceira idade.
O filme traz os personagens maduros para o centro da trama. E isso acontece de uma forma carinhosa, mas sem protecionismo. As rugas estão à mostra, assim como penteados bem cuidados, roupas decotadas e maquiagem. Não há oposição entre desejo e idade avançada para quem procura diversão e companhia nos bailes. A jovem personagem de Maria Flor está lá para provar que não é a idade que determina a capacidade de se divertir e amar.
A equipe técnica do filme é exemplar. Walter Carvalho emprega uma mobilidade incrível à sua criativa fotografia para acompanhar os passos de dança e a movimentação dos personagens dentro do salão. Direção de arte e figurino cuidadosos ao extremo conseguiram recriar o universo correto. Além disso, a banda que anima o baile é comandada por ninguém menos que Elza Soares ao lado do músico e compositor Markus Ribas.
Chega de Saudade, de Laís Bodanzky
(Idem, Brasil, 2008)
Com: Tônia Carrero, Leonardo Villar, Maria Flor, Cássia Kiss, Paulo Vilhena, Betty Faria
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Anderson Vitorino
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15h15
Um excêntrico paparazzo (Steve Buscemi) abriga um jovem Toby (Michael Pitt), um morador de rua que deseja ser ator. Toby, em sua breve carreira de assistente de paparazzo, acaba conhecendo a diva pop K’Harma (Alison Lohman) que se encanta por ele. Porém tudo vem abaixo por conta do amigo paparazzo. E por aí vai o resto do enredo de “Delírios”, que se tivesse personagens mais convencionais poderia muito bem passar no horário do programa televisivo “Malhação”.
Juntam-se ao enredo o tom cômico meio pastelão e montagens amparadas por música e é esse o novo trabalho do diretor e roteirista americano Tom DiCillo (”Um Policial em Apuros”, 2001), que já foi diretor de fotografia em filmes de Jim Jarmusch e até mesmo ator (“Estranhos no Paraíso”, 1984).
O carisma e o talento dos atores seguram o interesse do espectador. Steve Buscemi, mestre em personagens estranhos e ao mesmo tempo carismáticos, alia-se à beleza e naturalidade de Michael Pitt (“Os Sonhadores”, “Últimos Dias”) e juntos formam uma ótima dupla de protagonistas.
Delírios, de Tom DiCillo
(Delirious, EUA, 2006)
Com: Steve Buscemi, Michael Pitt, Alison Lohman, Gina Gershon
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Anderson Vitorino
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15h12
E quem vai ver “XXY” é...
Daniela Garcia (São Paulo, SP).
Parabéns!
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Anderson Vitorino
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09h57
Promoção “XXY”
Ganhe um par de ingressos para ver no cinema o filme argentino “XXY”
Deixe um comentário com seu e-mail e concorra a um par de ingressos para ver “XXY”, estréia na direção de Lucía Puenzo. O filme trata do polêmico tema do hermafroditismo de forma séria e delicada. A família da jovem Alex (Inés Efron) se isolou em uma praia uruguaia pensando ter deixado os problemas para trás em Buenos Aires. A visita de um médico, com sua mulher e filho, acaba fazendo com que as dúvidas da família de Alex venham à tona. “XXY” ganhou o prêmio de melhor filme da Semana da Crítica no Festival de Cannes e traz no elenco o mais conhecido ator argentino, Ricardo Darín.
O resultado da promoção, válida para toda Grande São Paulo, sai na próxima quinta-feira, 20/3.
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Anderson Vitorino
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17h07
Segundo longa-metragem dirigido pela talentosa atriz francesa Julie Delpy. A primeira experiência dela na função foi em 1995 com ocurta-metragem "Blah Blah Blah", depois foi a vez de "Looking for Jimmy" (2002), longa co-produzido com os EUA e filmado em tempo real em Los Angeles.
Delpy solidificou mesmo sua carreira com filmes importantes de diretores como o polonês Krzysztof Kieslowski. Também é impossível não lembrar de Delpy ao lado de Ethan Hawke em trabalhos como "Antes do Amanhecer" (1995), sua seqüência e outros filmes do americano Richard Linklater.
"2 Dias em Paris" segue a linha da comédia romântica intelectualizada, na qual os dramas principais são externados via diálogos. Percebe-se uma clara influência do mais europeu dos cineastas americanos, Woody Allen. Os personagens neuróticos dominam a cena, assim com na maioria dos filmes de Allen.
E por falar nos EUA, vale ressaltar que "2 Dias em Paris" também joga com o histórico desentendimento cultural entre franceses e norte-americanos. A personagem de Delpy é uma fotógrafa francesa que tenta salvar uma viagem romântica do desastre total depois de passar pela Itália com o namorado americano. Eles resolvem passar dois dias em Paris antes de retornar a Nova York.
Na capital francesa o namorado estrangeiro sofre por não dominar a língua e nem os costumes locais. Além disso, há o passado amoroso de Marion (Delpy) que paira no apartamento dela e nos encontros com ex-namorados pelas ruas e em festas. Não faltam desentendimentos entre o casal e situações cômicas de estranheza, principalmente com a família francesa (os verdadeiros pais de Delpy interpretam os pais de Marion), mas o leve exagero de tal recurso prejudica um pouco a fluidez e a agradabilidade do filme.
2 Dias em Paris, de Julie Delpy
(2 Days in Paris, FRA/ALE, 2007)
Com: Julie Delpy, Adam Goldberg, Daniel Bruhl, Albert Delpy, Marie Pillet
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Anderson Vitorino
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08h48
Michael Moore talvez seja o documentarista mais conhecido em todo o mundo atualmente. Depois de “Tiros em Columbine” (2002) e “Fahrenheit 11 de Setembro” (2004) – filme que o permitiu proferir um polêmico discurso anti-Bush com um Oscar nas mãos – o novo alvo de sua crítica é o sistema de saúde dos Estados Unidos.
Em “SOS Saúde”, Moore exercita seu estilo de documentário único e bastante questionado. O diretor domina muito bem os recursos cinematográficos (som, entrevistas, narração, montagem) que lança mão para atacar seus desafetos, no caso, o sistema de saúde americano, dominado, assim como no Brasil, pelas empresas de plano de saúde.
O deboche e a ironia são ferramentas recorrentes do arsenal de Moore e ele não poupa esforços para usá-los. Alguns jornalistas, críticos e detratores do diretor afirmam que há inclusive informações e dados errados nos filmes. “SOS Saúde” é narrado e comentado por Moore, que em comparação a “Tiros em Columbine”, por exemplo, até resguardou um pouco sua imagem, mas não a voz.
A organização das idéias é didática, linear, e o filme é claramente dividido em 3 partes. Num primeiro momento, alguns americanos que atenderam uma convocação no site de Moore (michaelmoore.com) relatam os problemas causados por suas seguradoras de saúde. Na segunda parte a equipe do filme visita hospitais no Canadá, Inglaterra e França. Por fim, o diretor leva doentes americanos para uma inusitada visita à ilha cubana, onde o sistema de saúde é exemplar.
Documentários, na maioria das vezes, primam pela investigação. Talvez seja justamente aí que Moore comete uma grande “falha” ética, além, claro de colocar entrevistados em situações constrangedoras. O diretor fecha os olhos para a multiplicidade de fatos que geralmente envolvem uma questão. A popularidade de seus filmes decorre principalmente dos temas urgentes e contemporâneos abordados e também da posição “à esquerda” de Moore. Porém, vale lembrar que recursos cinematográficos já foram satisfatoriamente manipulados por ideologias extremistas.
Anderson Vitorino, 27, apaixonado por cinema, iniciou-se na dramaturgia aos 13 anos num curso de teatro. Desde lá, desenvolveu enorme fascínio pelas histórias e imagens. Estudou cinema e aprofunda-se em direção, escrita de roteiro e textos.
Escreveu e dirigiu o curta-metragem Jurema, Te Amo!, 2003.