Bate-papo com Lucrécia Martel

A diretora argentina esteve na academia internacional de cinema em São Paulo no dia 8 de fevereiro para um bate-papo. Confira abaixo os melhores momentos.

 

 

Bruno Miranda/Folha Imagem

 

Antes do sucesso de O Pântano (2001)

Lucrécia falou sobre seus curtas, em especial Rey Muerto (1995), que segundo ela foi uma verdadeira escola de cinema. A diretora também fez para a televisão uma série de humor negro para adolescentes (D.N.I.), o que achou bem curioso – a diretora tem um ótimo humor.

 

La Ciudad que Huye

A diretora comentou sobre um curta-metragem denúncia sobre os condomínios fechados que se espalham pela cidade de Buenos Aires, assim como em todas grandes cidades da América Latina. Lucrécia disse da dificuldade de filmar os muros desses verdadeiros lugares anti-cidades devido à segurança exagerada.

 

Roteiros e fotografia

A organização do roteiro serve como um guia para as filmagens. Não há, praticamente, improvisação no roteiro na hora das filmagens. Este é uma estrutura complexa, pensada previamente e a fluidez aleatória dos diálogos é proposital. A estrutura vem de conversas ouvidas ao longo da vida e aí entra a importância do som, não só nos filmes de Lucrécia, mas na vida dele, já que desde criança sempre foi arrastada para o meio de muitas conversas e narrativas orais.

É na decupagem, na escolha de planos e movimentos, que acontece a improvisação. Essa parte do processo acontece no set, depois de passar um tempo com os atores e amadurecendo a história. A câmera se coloca como uma criança curiosa, que olha sem julgamento moral.


Escrito por Anderson Vitorino às 23h09



Os atores e a mise-en-scène


Não acontecem ensaios prévios e um intenso trabalho de criação. Lucrécia conversa bastante com seus atores e proporciona um momento de entrosação entre eles, principalmente por usar muitos atores não-profissionais. No set há ensaio, mas como uma passagem da cena.



Para pensar na movimentação dos atores em relação à câmera a diretora se faz várias perguntas: Por que fazer cinema? Qual a necessidade? O que é importante para compartilhar o desejado? Para responder Lucrécia OUVE a cena, usa sua memória emotiva e pensa no corpo como lugar que encerra desejos, mas também solidão.




Mais sobre o SOM


As pessoas insistem na curiosidade sobre a importância do som para Lucrécia, que aliás tem audição bastante apurada. Ela diz que um filme é uma percepção PESSOAL que é compartilhada e que o som, a vibração do ar, provoca mudanças, transformações, que não se podem controlar, pois são selvagens, complexas.




A dúvida, o desejo e o mistério


De suas primeiras experiências no cinema Lucrécia traz a importância da dúvida no momento de construção de um filme e afirma que segurança não é saber tudo e indicar todos os caminhos. O cinema é uma arte coletiva e faze-lo é participar da construção de um modelo de convívio social.



O corpo encerra nossos desejos que são cerceados por leis criadas pelos próprios homens e desse embate nascem várias ambigüidades: sexuais, raciais, familiares. Dessa dificuldade de encontrar os limites entre as relações a diretora argentina tira proveito para explorar o mistério. Como saber a origem e o futuro dos personagens? E quando ela disse que é necessário respeitar o mistério a primeira coisa que me veio à cabeça foi o cinema do mestre David Lynch. No dia 10 de fevereiro, em entrevista a Sérgio Rizzo na Folha, saiu a confirmação: Lucrécia diz que Lynch é o melhor diretor americano atualmente.




A cidade natal


A relação com a cidade natal é sempre apaixonada, seja ela de aproximação ou afastamento. Lucrécia filmou seus dois longas em sua região de origem: Salta, e diz que dessa relação entre o presente e o passado, nasce a construção emotiva da identidade.




A geração contemporânea de cineastas argentinos


Lucrécia fala sobre um suposto movimento atual no cinema argentino.


Escrito por Anderson Vitorino às 23h08



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Anderson Vitorino, 29, apaixonado por cinema, iniciou-se na dramaturgia aos 13 anos num curso de teatro. Desde lá, desenvolveu enorme fascínio pelas histórias e imagens. Estudou cinema e aprofunda-se em direção, escrita de roteiro e textos. Escreveu e dirigiu o curta-metragem Jurema, Te Amo!, 2003. Atualmente cursa Letras na USP e ensaia o seu primeiro espetáculo em São Paulo "Te espero na última plataforma".

Contato pelo e-mail:
andervitorino@gmail.com

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