Lista de vencedores do 60º Festival de Cannes:

  • Palma de Ouro: "4 Luni, 3 saptamini si zile" (4 meses, 3 semanas e 2 dias), do romeno Cristian Mungiu.
  • Grande Prêmio: "Mogari no Mori" ("Bosque de Mogari"), da japonesa Naomi Kawase.
  • Prêmio do Júri: "Persépolis", da franco-iraniana Marjane Satrapi e do francês Vincent Paronnaud, e "Luz Silenciosa", do mexicano Carlos Reygadas.
  • Melhor atriz: a sul-coreana Jeon Do-yeon, por "Secret Sunshine" ("Alegria Secreta").
  • Melhor ator: o russo Konstantin Lavronenko, por "Izganie" ("Desterro").
  • Melhor direção: "Le Scaphandre et le Papillon", do norte-americano Julian Schnabel (realizado na França).
  • Melhor roteiro: "Auf der Anderen Seite", do turco-alemão Fatih Akin.
  • Prêmio especial do 60º aniversário: "Paranoid Park", do norte-americano Gus Van Sant.
  • Palma de Ouro de curta-metragem: "Ver Llover", da mexicana Elisa Miller.
  • Câmera de Ouro: "Les Méduses", dos israelenses Etgar Keret e Shira Geffen.
  • Jovens Olhares e Label Europa: “Control”, de Anton Corbijn (Quinzena dos Realizadores)
  • Grande prêmio da Semana da Crítica: “XXY”, de Lucía Puenzo
  • Prêmio descoberta de melhor curta-metragem: “Um Ramo”, de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil)

Escrito por Anderson Vitorino às 18h40



De volta ao cinema mudo

O diretor Eric Rohmer fala de seu romance "A Casa de Elisabeth", escrito há 61 anos e só agora reeditado

SAMUEL BLUMENFELD

Um do grandes nomes da nouvelle vague, o cineasta francês Eric Rohmer, 87, fala na entrevista abaixo de sua abortada carreira de romancista.
Depois de 61 anos, chega novamente às livrarias seu romance "Elisabeth", agora renomeado para "La Maison d"Elisabeth" [A Casa de Elisabeth].
Como explica Rohmer, o tema de sua obra não era nem Elisabeth nem sua casa, mas tudo o que acontece dentro dela.
Ele fala da geração de autores contemporâneos à escrita de seu livro, como Albert Camus e Jean-Paul Sartre. Rohmer também explica a relação entre cinema e literatura e como a busca da modernidade, para ele, só iria se dar por meio do cinema.

 


PERGUNTA - O senhor publicou "Elisabeth" em 1946. Esse primeiro romance, que jamais seria seguido de outro, permaneceu esgotado desde então. Por que só hoje ele é reeditado, sob o título ligeiramente diferente de "A Casa de Elisabeth"?
ERIC ROHMER -
Eu tinha perdido o último exemplar que me restava e não o havia relido desde sua publicação. Há alguns anos me perguntaram se eu queria que o livro fosse reeditado. Eu respondi que não. Preferia que o fosse postumamente.
Aconteceu que um alemão me perguntou se eu concordaria que ele fosse traduzido na Alemanha.
Era uma idéia engraçada. Assim, ele foi editado lá e depois na Itália. Então eu me disse: "Por que não na França?".
Para mim, meus filmes não pareciam ter mais qualquer relação com esse romance.
No entanto, quando o reli, achei que havia relações. Posso dizer modestamente que o romance não é tão ruim.
Há situações que se parecem com as dos meus filmes e que em certos trechos não são inferiores aos meus filmes. Pelo menos foi o que pensei.
De todo modo, eu não gostava do título original, "Elisabeth".
Então procurei durante muito tempo. O tema do romance não é a visão de uma mulher e também não é a casa. É tudo o que acontece nessa casa.

 

PERGUNTA - A geração de cineastas da nouvelle vague queria escrever romances. A grande ambição de Godard, por exemplo, era ter um romance publicado pela Nouvelle Revue Française.
ROHMER -
E eu também! No caderno escolar que era o manuscrito do meu romance, eu havia desenhado a mim mesmo com o logotipo da NRF. E ele foi aceito!

 

PERGUNTA - Por que o sr. não persistiu no caminho da escrita?
ROHMER -
Há um fenômeno de história literária que me intriga.
Eu escrevi este romance em 1944. Publiquei-o ao mesmo tempo em que "A Vida Tranqüila", o primeiro romance de Marguerite Duras. O que quer dizer que ela não pôde me influenciar.
Depois tentei escrever um segundo romance. Eu estava seco, não encontrava idéias.
Percebo que a maior parte das pessoas de minha geração esteve um pouco no meu caso. Posso citar Albert Camus. De todo modo, ele escreveu o pior romance da literatura francesa, que se chama "A Peste".
E há Jean-Paul Sartre, que escreveu "A Náusea", depois "O Muro", uma coletânea de novelas, mas depois não continuou tanto no romance.
Podemos acrescentar Beckett, que escreveu um romance, "Molloy", e depois se lançou no teatro. Butor escreveu "A Modificação" e depois não fez nada.
Existe portanto um fenômeno que não é próprio de meu caso. Uma falta de inspiração que ocorre depois de uma obra em geral bem-sucedida, mesmo que meu romance não tenha agradado na época.


Escrito por Anderson Vitorino às 18h27



PERGUNTA - No prefácio de "Seis Contos Morais", publicados em 1974, o sr. escreveu de maneira muito severa: "A idéia desses contos me ocorreu em uma idade em que eu ainda não sabia se seria cineasta. Se fiz filmes, é porque não consegui escrevê-los". Devemos compreender que a escrita dos "Contos Morais" foi, segundo o sr., um fracasso?
ROHMER -
Eu efetivamente achava que a maneira como os havia escrito não era bem-sucedida. Era ainda muito "século 19", antiga, arcaica.
Eu queria encontrar na época alguma coisa que contasse as mesmas histórias e que tivesse ao mesmo tempo um estilo mais moderno. Eu desejava reencontrar a modernidade de "A Casa de Elisabeth" quando escrevi os "Contos Morais".
Encontrei essa modernidade por meio do cinema, pois fazer cinema na minha época era muito moderno.

 

PERGUNTA - Em uma entrevista em 1983, o sr. explicou: "Creio que existe no mundo algo diferente do cinema, e que o cinema, ao contrário, se alimenta das coisas que existem ao seu redor. O cinema é de fato a arte que menos pode alimentar-se de si mesma. Para outras artes, certamente é menos perigoso". Nessa época, o sr. já percebia a erosão do elo entre cinema e literatura?
ROHMER -
Hoje existe uma não-cultura total, particularmente dos cinéfilos. Antigamente havia muitas pessoas que julgavam o cinema em comparação com a literatura.
Acadêmicos como Jean Dutourd ou Georges Duhamel tinham palavras muito severas para o cinema. Eu me dizia então, nessa perspectiva, que era preciso esquecer a literatura.
Não devemos julgar o cinema em relação à literatura. Hoje é o contrário. A literatura está muito esquecida.
Eu constato uma ausência do cinema mudo. Assim como remontamos aos gregos quando escrevemos uma obra literária, hoje seria bom remontar a Griffith. Ele deveria ser reeditado em DVD; o público o ignora.

 

A íntegra deste texto saiu no "Le Monde". Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves. Folha de SP


Escrito por Anderson Vitorino às 18h27



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Anderson Vitorino, 29, apaixonado por cinema, iniciou-se na dramaturgia aos 13 anos num curso de teatro. Desde lá, desenvolveu enorme fascínio pelas histórias e imagens. Estudou cinema e aprofunda-se em direção, escrita de roteiro e textos. Escreveu e dirigiu o curta-metragem Jurema, Te Amo!, 2003. Atualmente cursa Letras na USP e ensaia o seu primeiro espetáculo em São Paulo "Te espero na última plataforma".

Contato pelo e-mail:
andervitorino@gmail.com

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