Em cartaz: Claude Lelouch

 

 

O diretor Claude Lelouch nasceu em Paris, em 1937. A homenagem que recebeu da Mostra Internacional de Cinema (SP) nesse ano em que completa 70 anos foi mais do que merecida. Lelouch recebeu a Palma de ouro em Cannes e um Oscar® de melhor filme estrangeiro aos 29 anos pelo filme Um Homem, Uma Mulher que marcou sua carreira e ao mesmo tempo já definiu temas recorrentes em sua filmografia como, por exemplo, o amor.

 

O roteiro de Crimes de Autor, exibido no último Festival de Cannes, se apropria dos elementos clássicos de um romance, no sentido literário, para construir sua trama. O diretor encontrou assim, um meio de cruzar gêneros cinematográficos, como o policial, o suspense, a comédia, o melodrama e até mesmo elementos de filmes de estrada (road movies).

 

A elegante Fanny Ardant interpreta a autora – Judith Ralitzer – que está a procura de novos personagens para o próximo best-seller de sua carreira. Ralitzer é uma escritora muito bem sucedida e é ela quem abre o filme sendo interrogada a respeito do assassinato de um homem. Temos então um flashback que nos leva a conhecer um pouco melhor o caráter da personagem.

 

Outros personagens entram na trama, como o enigmático Pierre Laclos, ou Louis, interpretado magnificamente pelo ator Dominique Pinon; e também a jovem cabeleireira Huguette (Audrey Dana). A vida de todos os personagens se cruza ao modo de uma ciranda e o espectador é sempre provocado para tentar entender as relações e descobrir o que é verdade ou mentira a cada reviravolta.

 

Crimes de Autor, de Claude Lelouch 

(Roman de Gare, França, 2007)


Escrito por Anderson Vitorino às 14h04



 

Antes de brincar com os limites entre a “realidade” e a ficção que vira livro em Crimes de Autor (2007), Claude Lelouch fez A Coragem de Amar (2005). Nesse filme, a história central, entra várias outras contadas, é a de uma cantora de rua que se transforma em estrela e tem a vida transformada em livro e filme.

 

O filme é a segunda parte de uma trilogia abandonada, A Raça Humana, cuja primeira parte foi Les Parisiens (2004). Bem ao gosto de Lelouch, o filme traz mais de um núcleo dramático, ótimos atores – como a atriz Mathilde Seigner, que interpreta duas irmãs gêmeas – e uma trilha sonora marcante e bastante participativa.

 

Apesar de tratar de personagens comuns, o tom do filme é fabuloso, o que pode ser notado desde o início a partir de uma conversa em que um mendigo afirma ser Deus. O tema que perpassa todas as histórias dentro de A Coragem de Amar é o amor, como anuncia o título, e daí advêm encontros, despedidas, traições – tudo tratado de forma rasteira e musicada, claro!

 

Lelouch cria personagens e conflitos interessantes, como a cantora de rua Shaa (interpretada pela estranha e ao mesmo tempo bela Maïwenn Le Besco, que fez a diva extraterrestre azul de O Quinto Elemento), descoberta por outro músico das ruas que a leva para um clube de jazz. Os dois passam a cantar um sucesso juntos, mas Shaa decide aceitar uma proposta de carreira profissional individual.

 

As decorrências desse conflito e dos outros do filme não vão além da crítica rasteira e até certo ponto agradável. Não que isso seja exatamente ruim, mas ao mesmo tempo em que saímos cantarolando do cinema, esperamos mais do velho Lelouch.

 

A Coragem de Amar, de Claude Lelouch

(Le Courage d’Aimer, França, 2005)


Escrito por Anderson Vitorino às 14h03



Três irmãos, onze malas e um trem

 

 

O diretor americano Wes Anderson (Houston, 1969) parece estar sempre fazendo o mesmo filme. Essa afirmação não é negativa, na verdade é bem o contrário disso. Vários atores trabalham com Anderson desde o início de sua carreira. É o caso de Bill Murray, que estrelou Três é Demais (1998), Os Excêntricos Tenenbaums (2001), A Vida Marinha com Steve Zissou (2004) e fez uma participação quase surrealista em Viagem a Darjeeling (2007). Os irmãos Wilson (Luke e Owen), Anjelica Huston e Jason Schwartzman são outros atores que têm lugar garantido em quase todos os trabalhos de Anderson.

 

Os temas dos filmes também se repetem. Anderson se interessa pelos laços humanos, seja dentro do núcleo familiar, ou nas relações amorosas. Mas a família, especialmente a paternidade, acabou por se firmar como foco central dos filmes do diretor cujo estilo próprio se situa entre o drama e a comédia, sem se fixar rigidamente em nenhum deles. O olhar de Anderson evita simplificações e enxerga em cada personagem um mundo completo, heterogêneo e único. É da interação, quase sempre conflituosa, entre esses diferentes mundos que nascem as histórias do diretor.

 

Em Viagem a Darjeeling, Francis (Owen Wilson), após sofrer um grave acidente, resolve fazer uma viagem espiritual pela Índia, ao lado dos dois irmãos (Adrien Brody e Jason Schwartzman) que não se viam há um ano, desde a morte do pai. Os três têm níveis social e econômico elevados, são independentes, mas apresentam problemas emocionais. E aqui se destaca outro elemento do cinema de Wes Anderson: esses “problemas emocionais” dos personagens não são vistos como disfunções ou acontecimentos extraordinários, mas sim como fatos comuns e inevitáveis.

 

O filme incorpora elementos do gênero de estrada (“road movies”), para tratar do reencontro dos irmãos e de como esse novo contato mudará algo na percepção de mundo de cada um dos envolvido nessa viagem. Anderson já havia experimentado isso em A Vida Marinha com Steve Zissou, no qual é um barco que serve de transporte para os personagens. O trajeto percorrido em Viagem a Darjeeling, a bordo de um trem nada confortável, leva os irmãos em direção oposta à vida que estão acostumados.

 

A direção de arte é um grande destaque do filme, pois manipula com precisão os figurinos e objetos de cena de forma que esses se mesclem perfeitamente com a narrativa. Entre a representação do real e a fantasia, o exagero, os objetos e figurinos caracterizam personagens e lugares, contam história e ainda servem de metáfora – tal é o caso das 11 grandes malas que os irmãos carregam por todos os lados.

 

A trilha sonora dos filmes de Anderson é sempre um espetáculo a parte – em A Vida Marinha com Steve Zissou o músico brasileiro seu Jorge, além de atuar, gravou versões em português para diversas músicas de David Bowie. No novo filme, o diretor preferiu selecionar canções pré-existentes para compor a trilha: The Kinks, Rolling Stones e até músicas de filmes do cineasta indiano mais conhecido (Satyajit Ray) foram utilizadas. Anderson explora as mais diferentes funções da música em um filme, mas a principal ação da trilha em seus filmes é evocar a memória afetiva dos personagens, e até mesmo dos espectadores, com canções conhecidas.

 

Antes do longa deve ser exibido um curta-metragem, em forma de prólogo, chamado Hotel Chevalier, protagonizado por Natalie Portman e Jason Schwartzman.

 

Viagem a Darjeeling, de Wes Anderson

(The Darjeeling Limited, EUA, 2007)


Escrito por Anderson Vitorino às 12h12



Filme de memórias de dentro da gente

 

 

Sandra Kogut nasceu no Rio de Janeiro, deu aulas em Faculdades de Belas Artes na Europa e nos EUA e em 2002 finalizou seu primeiro longa-metragem, o documentário Um Passaporte Húngaro. Nesse filme, Kogut registra o processo da tentativa de obtenção da nacionalidade húngara e o resgate da memória já é uma das chaves de seu trabalho.

 

O primeiro roteiro de Mutum, adaptado da novela “Campo Geral” (originalmente em “Corpo de Baile”, 1956) do escritor mineiro João Guimarães Rosa, foi escrito a partir das lembranças que a diretora tinha do livro lido há muito tempo, pois “foram elas que me fizeram querer fazer o filme”, afirmou Kogut. Esse sabor, ora doce, ora amargo, das lembranças da infância, é o que norteia todo o filme.

 

Mutum, vencedor do prêmio de melhor longa de ficção segundo o júri do último Festival do Rio, conta a história de um menino que começa a se subjetivar no mundo em meio à família e ao remoto lugar em que vive no sertão de Minas Gerais. O personagem Miguilim ganha o nome de seu intérprete, Thiago, que nunca tinha visto um filme em sua vida, assim como quase todos os não-atores selecionados para o elenco do longa-metragem. Aqui, o trabalho de um preparador de elenco (no caso, a ótima Fátima Toledo) fez toda a diferença – o filme sem o bom desempenho do elenco infantil não existiria.

 

Uma adaptação à altura da obra de Guimarães Rosa prescindia mesmo de uma relação mais afetuosa e um olhar mais simples, em oposição à pompa que sempre se dá às releituras de livros do autor. Antes de criar o que muitos hoje afirmam ser uma cosmologia universal do homem, Rosa transpôs para o papel suas experiências da infância e o contato com os homens e o universo do sertão de Minas.

 

No filme, o menino Thiago é visto por todos de sua família como uma criança diferente das outras: quieto, pensativo, sentimental. Ele vive com seus irmãos, mãe, avó paterna, o pai e o irmão desse, o tio Terêz. Aos oito anos de idade, Thiago experimenta de forma singular o mundo que o cerca. Ele sofre pela mãe, dividida entre o amor do pai e do cunhado, amarga a distância entre ele e o pai, mas também se encanta com essas descobertas todas e com o contato com a natureza e os irmãos.

 

A direção de arte nos leva para dentro do universo sertanejo. A escolha do local das filmagens, assim como a presença de elementos muito representativos (brinquedos, arapucas, a comida), foi fundamental para operar essa viagem do espectador para o mundo de Rosa e kogut.

 

A diretora lançou mão de planos mais longos em oposição aos cortes bruscos. Às vezes a câmera contempla o meio e em outros momentos acompanha a mobilidade das crianças e dos animais. O som no filme é usado de maneira criativa e eficiente. Barulhos da natureza perpassam o filme que evita a música convencional. É também através do som que vivemos junto com Thiago alguns dos momentos mais dramáticos de Mutum.

 

Mutum, de Sandra Kogut

(Idem, Brasil, 2007)


Escrito por Anderson Vitorino às 12h06



Um reencontro com a natureza

 

 

O filme Lady Chatterley foi adaptado, pela própria diretora (Pascale Ferran), da segunda versão do célebre romance inglês “O Amante de Lady Chatterley”, de autoria de D.H. Lawrence. Ferran privilegiou completamente em seu roteiro a personagem principal do romance e as transformações sofridas por ela., em detrimento dos acontecimentos sócio-políticos.

 

Lady Chatterley (Marina Hands) vive isolada em uma belíssima casa de campo ao lado do marido (Hypollite Girardot) inerte após um ferimento de guerra, e rodeada por funcionários. O único passatempo da mulher são os passeios desatentos pela mata que cerca a casa. Mas é exatamente em meio á natureza que a cercava o tempo todo que Lady Chatterley irá restabelecer conexão com sua própria natureza, seu corpo.

 

A mulher é despertada da monotonia em que vivia pela figura do guardador de caça (Jean-Louis Coullo’ch) que se lava sem saber que está sendo observado. Esse momento de epifania interna da personagem feminina é incorporado pela fotografia do filme. A câmera de Ferran passa a se deter e interagir mais com os elementos da natureza que sempre estiveram ali, mas não eram notados por Lady Chatterley.

 

Estabelece-se a partir daí uma relação física e emocional entre esses dois personagens, marginais historicamente, mas trazidos para o centro do filme em questão. Eles se relacionam também internamente, redescobrem a vida dos próprios corpos no contato entre eles e com a natureza viva ao redor. Há um forte movimento de volta ao fundamental, ao simples e homem e natureza se harmonizam como há muito não se via.

 

O filme ganhou cinco prêmios César (da academia francesa): melhor filme, fotografia, atriz, roteiro adaptado e figurino; além de outros importantes prêmios em festivais internacionais.

 

Lady Chatterley, de Pascale Ferran

(Idem, BEL/FRA/ING, 2006)


Escrito por Anderson Vitorino às 12h01



Por um cinema e um país do não-espetáculo

 

 

A Casa de Alice é o primeiro trabalho de ficção do documentarista Chico Teixeira (Criaturas que Nasciam em Segredo, 1995) e, coincidentemente, o primeiro trabalho da atriz Carla Ribas como protagonista no cinema. O resultado foi favorável vide a longa carreira do filme em festivais internacionais, os prêmios para Carla e a boa recepção de crítica e público.

 

O filme acompanha uma família de classe média em São Paulo, com o foco em duas pontas da geração: de um lado a mãe, Alice, e do outro a avó (Berta Zemel). A primeira liga a casa à rua, em suas saídas para o trabalho em um salão de beleza; a outra, praticamente, não sai de casa, onde faz serviços domésticos, ouve um programa popular no rádio e enfrenta a progressiva perda da visão.

 

As semelhanças entre o filme de Chico Teixeira e Mutum, de Sandra Kogut, são muitas, apesar da distância geográfica entre eles. Ambos contaram com a direção de fotografia de Mauro Pinheiro Jr. e com o trabalho de Fátima Toledo, experiente preparadora de elenco. Mas a principal ligação entre os dois filmes é a opção pela não espetaculosidade da vida – não há música em nenhum dos dois filmes, por exemplo.

 

Toda a tessitura cinematográfica (fotografia, direção de atores, som, direção de arte) de A Casa de Alice se constrói a partir da tentativa de capturar o que há de mais íntimo em cada personagem e nas relações entre eles. A câmera privilegia a observação mais minuciosa ao invés de se movimentar e os planos duram um pouco mais do que se vê geralmente no cinema, principalmente no nacional e americano. Ao mesmo tempo em que o filme quer fazer esse registro interior, há uma história sendo contada, na verdade, várias histórias – o marido de Alice, assim como os três filhos, também são individualizados e têm seus próprios dramas.

 

O apartamento onde vive a família funciona como uma metáfora do interior da personagem principal e isso já é explicitado no próprio título do filme. Acompanhamos o desmoronamento da casa/família/interior de Alice. Sonhos, perspectivas e desejos de pessoas comuns são contrastados com algumas verdades do mundo exterior à casa e ao convencionalismo do mundo. Pode-se lembrar de Contra Todos, de Roberto Moreira, que também tinha uma família de classe média como protagonista, mas lá, a experiência é mais de gênero, no sentido de jogo cinematográfico que se estabelece com o público. Em A Casa de Alice, a sucessão de fatos segue um ritmo mais natural, que imita a vida.

 

A Casa de Alice, de Chico Teixeira

(Idem, Brasil, 2007)


Escrito por Anderson Vitorino às 11h57



Jovens, música, classes sociais e uma tragédia

 

 

Diferentemente do que se pode imaginar, O Magnata, escrito pelo líder da banda Charlie Brown Jr., não é autobiográfico. É certo que há elementos da vida de Chorão no filme, como o mundo da música e do skate, mas o foco principal é um jovem músico que se recusa a crescer e assumir responsabilidades. A direção ficou nas mãos do estreante Johnny Araújo, experiente em publicidade e videoclipes.

 

O Magnata é um filme sobre e para jovens e realiza essa intenção de forma honesta e direta. Há certas tentativas de psicologismos, mas que são sobrepostas por experiências, o que enriquece bastante o filme. Paulinho Vilhena, conhecido ator de televisão, tem o seu primeiro papel como protagonista no cinema e foi escolhido pelo próprio Chorão para estrelar o filme.

 

Não é à toa que nos últimos dias, uma enxurrada de comerciais do filme são veiculados na MTV – o público de O Magnata é praticamente o mesmo do canal musical. A estética batizada como “videoclíptica” – planos curtos e ágeis, manipulação da textura e cor da imagem e muita música – serve bem ao universo do filme. O músico Magnata (Vilhena) passa seus dias em shows de rock, baladas com prostitutas, festas, e quando em casa, está quase sempre dormindo ou discutindo com a mãe alcoólatra (Maria Luiza Mendonça). >

 

Mais do que falar sobre jovens que retardam o amadurecimento e fazem a adolescência se estender, O Magnata registra a transitoriedade, principalmente dos jovens, entra as classes sociais no Brasil. E esse movimento fura qualquer discurso hipócrita que responsabiliza uma classe só pelo tráfico de drogas, marginalidade e violência. Os responsáveis pelo filme afirmam que não há moral no filme, mas o que vemos é quase uma tragédia, cujo herói é punido por seus excessos.

 

O Magnata diverte quando se propõe a tal, mas decepciona ao querer criar um aprofundamento - frágil - nos dramas dos personagens. O filme traz participações especiais curiosas e às vezes divertidas: Chico Diaz, João Gordo, Tiririca, Marcelo Nova, Marcos Mion, entre outros do meio da música e do skate. Mas quem brilha mesmo é Paulinho Vilhena, que mostra que sabe ir além dos estereótipos das novelas, e também a jovem atriz Rosanne Rolland.

 

O Magnata, de Johnny Araújo

(Idem, Brasil, 2007)


Escrito por Anderson Vitorino às 11h51



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Anderson Vitorino, 29, apaixonado por cinema, iniciou-se na dramaturgia aos 13 anos num curso de teatro. Desde lá, desenvolveu enorme fascínio pelas histórias e imagens. Estudou cinema e aprofunda-se em direção, escrita de roteiro e textos. Escreveu e dirigiu o curta-metragem Jurema, Te Amo!, 2003. Atualmente cursa Letras na USP e ensaia o seu primeiro espetáculo em São Paulo "Te espero na última plataforma".

Contato pelo e-mail:
andervitorino@gmail.com

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