E a estréia da semana é...

 

 

 

Onde os Fracos Não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen

(No Country For Old Men, EUA, 2007)

Com: Tommy Lee Jones, Javier Barden, Josh Brolin, Woody Harrelson

 

(Indicado para o Oscar de melhor filme, direção, ator coadjuvante – Javier Bardem, roteiro adaptado, fotografia, edição, som e edição de som)


Escrito por Anderson Vitorino às 14h30



Joel e Ethan ainda são os irmãos Coen

 

 

 

Humor negro, crimes, violência, personagens perturbados e caracterização irônica de regiões específicas dos EUA – esses são alguns dos elementos que constituem o universo cinematográfico dos irmãos Coen. Joel e Ethan Coen nasceram nos anos 50 no estado de Minnesota, norte dos EUA, e trabalham juntos no cinema desde o primeiro filme (“Gosto de Sangue”) em 1984. Doze filmes depois, sem contar os trabalhos curtos, os irmãos continuam juntos, fiéis ao seu modo de trabalho e despontam como os grandes favoritos aos prêmios anuais da Academia de cinema norte-americana com oito indicações ao Oscar.

 

A liberdade dos irmãos em relação aos produtores e estúdios sempre foi uma característica definidora de seus trabalhos. O corte final é quase sempre dos Coen e, além disso, eles são os responsáveis pela montagem da maior parte de seus filmes – para isso, usam o pseudônimo de Roderick Jaynes. O roteiro também leva sempre a assinatura dos irmãos, que por trabalharem sempre juntos já foram chamados nos EUA de “The Two-Headed Director” (o diretor de duas cabeças). O apelido também brinca com a regra do sindicato dos diretores que, até 2003, obrigava que apenas um dos irmãos assinasse a direção.

 

Nos anos 80, os Coen emergiram em meio a um movimento efervescente de pequenas produções que passaram a conquistar visibilidade dentro e fora dos EUA. Era o cinema independente americano que assustou muitos estúdios, mas foi logo incorporado por eles. Joel e Ethan recusaram os rótulos e realizaram filmes com influências do cinema noir (“Gosto de Sangue” – que venceu a primeira edição do Festival de Sundance, reduto das produções independentes nos EUA), da comédia absurda (“Arizona Nunca Mais”) e dos filmes de gângsteres (“Ajuste Final”). Outros diretores que se destacaram nessa década foram David Cronenberg, David Lynch e Steven Soderbergh.

 

 

Na década de 90 os irmãos cineastas estabeleceram um estilo – apesar de negarem a existência de tal – que passou a influenciar diversos diretores e ainda conquistaram a Europa e até mesmo a Academia norte-americana de cinema. Em 1991, “Barton Fink – Delírios de Hollywood”, um drama irônico com toques de horror surrealista, deu o prêmio de melhor diretor a Joel Coen no Festival de Cannes. O fato se repetiu em 1996, quando a obra-prima “Fargo” (foto acima) deu mais um prêmio a Joel e ainda concorreu ao Oscar em sete categorias. Venceram pelo roteiro original, escrito pelos irmãos, e a atriz Frances McDormand, esposa de Joel, também levou um Oscar para casa. “Fargo” é uma auto-intitulada comédia de erros, com doses cavalares de ironia e violência. Um seqüestro mal sucedido – tema recorrente na filmografia dos irmãos – envolve os personagens numa ciranda de desventuras no gelado estado da Dakota do Norte.

 

Já nos anos 2000, depois de uma releitura bastante livre do clássico “Odisséia”, de Homero – “E aí, Meu Irmão, Cadê Você?”, Joel e Ethan apresentaram um novo grande filme, novamente inspirado pelos suspenses noir e belamente filmado em P&B. Em “O Homem que Não Estava Lá”, um barbeiro (Billy Bob Thornton, em foto abaixo) resolve chantagear o chefe da mulher adúltera (Frances McDormand) para conseguir dinheiro, mas, obviamente, as coisas não saem conforme o planejado.

 


Escrito por Anderson Vitorino às 14h10



Duas comédias de humor negro se seguiram: “O Amor Custa Caro” e a refilmagem “Matadores de Velhinha”, estrelado por Tom Hanks. Para muitos, os Coen estavam perdendo o rigor e a assinatura. Porém, algo grande estava a caminho: a adaptação do romance “Onde os Velhos Não Têm vez”, do escritor americano Cormac McCarthy (publicado no Brasil pela editora Alfaguara).

 

 

Uma mala cheia de dinheiro muda a vida de um veterano da guerra do Vietnã (Josh Brolin) que vivia em paz com a esposa no Texas dos anos 80. Ele passa a ser caçado pelo perturbado assassino Anton Chigurn (Javier Bardem, na foto acima, em atuação que provavelmente lhe renderá o Oscar de ator coadjuvante) que tem princípios excêntricos e métodos perversos e ironicamente cômicos para matar. Tommy Lee Jones completa o trio principal de atores no papel de um xerife perto da aposentadoria que vê a corrosiva mudança dos tempos. “Onde os Fracos Não Têm Vez” iniciou sua carreira em maio de 2007 no Festival de Cannes e desde lá já arrebatou dezenas de prêmios importantes, o que o coloca na confortável posição de favorito aos prêmios Oscar.

 

Independente do resultado da premiação que ocorrerá em 24 de fevereiro, os Coen já tocam a carreira. “Burn After Reading” (2008) narra a história de um ex-agente da CIA (John Malkovich) que perde o arquivo com o livro de memórias que está preparando e passa a ser chantageado por um homem inescrupuloso (Brad Pitt). No elenco também estão George Clooney, Frances McDormand e Tilda Swinton.

 

 

Filmografia completa (direção):

 

1984 Gosto de Sangue

1987 Arizona Nunca mais

1990 Ajuste Final

1991 Barton Fink – Delírios de Hollywood

1994 Na Roda da Fortuna

1996 Fargo

1998 O Grande Lebowski

2000 E aí, Meu Irmão, Cadê Você?

2001 O Homem que Não Estava Lá

2003 O Amor Custa Caro

2004 Matadores de Velhinha

2006 Paris, Te Amo (episódio “Tuileries”)

2007 Cada um com Seu Cinema (episódio “World Cinema”)

2007 Onde os Fracos Não Têm Vez

Escrito por Anderson Vitorino às 14h07



PROMOÇÃO – PARANOID PARK

 

 

Todo mundo gosta de ganhar presentes, né? Então, lá vai... O blog de cinema TRINCHEIRA vai sortear uma linda camiseta do filme “Paranoid Park”, de Gus Van Sant, que está em cartaz desde o dia 25 de janeiro e é distribuído pela Imovision. A camiseta é branca e tem a arte do pôster aí em cima estampada na frente. Faça comentários aqui no blog ou envie um e-mail para andervitorino@hotmail.com informando o tamanho da camiseta: P ou G. Essa promoção acontece em parceria com a Revista Shopping Cine & Vídeo, para a qual eu escrevo, e tem o apoio do Imovision! Veja o filme. Ganhe a camiseta!

 

* Promoção válida em todo o território nacional. Resultado da promoção no dia 8 de fevereiro.


Escrito por Anderson Vitorino às 13h45



Em cartaz – Parte 1

 

 

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias

Filme romeno que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2007 e era um dos favoritos a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro, porém foi deixado de lado pela Academia. A economia de diálogos e planos dá o tom duro do drama vivido pelas personagens numa região sem muitas aspirações e esperanças. O tema é o aborto, mas o filme acaba se aprofundando também nas diferentes relações estabelecidas entre os homens. Cores, luz e silêncio exploram a poesia da tragédia.

 

 

O Gângster 

Adaptação de uma história verídica passada nos anos 1970 e levada às páginas da Revista New York em forma de artigo por Mark Jacobson em 2000. O filme é dirigido por Ridley Scott (“Gladiador” e “Blade Runner – O Caçador de Andróides”). A ascensão e queda de Frank Lucas (Denzel Washington), que passou de secretário pessoal para chefão do tráfico de drogas em bairro de Nova York, é contada sem afinco por um diretor que já teve dias melhores. Russel Crowe interpreta o policial que desmantelou uma rede de corrupção que envolvia policiais e traficantes. A reconstituição de época é interessante, mas deu uma saudade de Spike Lee... Tudo no filme é muito jogado e a boca torta que o Denzel Washington faz é irritante. “O Poderoso Chefão” segue reinando absoluto e ileso!

(Indicado para o Oscar de direção de arte e de atriz coadjuvante - Ruby Dee)

 

 

Desejo e Reparação

Adaptação do romance “Reparação” do cultuado escritor inglês Ian McEwan, que já teve outros livros adaptados para o cinema, entre eles “Amor Para Sempre” que virou o filme “amor Obsessivo”. Na direção está Joe Wright de “Orgulho e Preconceito”, filme no qual ele está bem mais a vontade em relação à linguagem e história. Esse novo filme exigia mais crueldade, pelo menos em suas duas primeiras partes e, no entanto, Wright dá vazão a uma trilha sonora muito climática e a planos não condizentes com a dureza do drama. Os atores estão todos bem e a reconstituição de época é excelente. Curioso como o verão deixa s ingleses com as emoções à flor da pele.

(Indicado para o Oscar de melhor filme, atriz coadjuvante - Saoirse Ronan, roteiro adaptado, fotografia, direção de arte, figurino e trilha sonora)

 

 

Em Paris

Belíssimo filme que se passa em um dia e ao mesmo tempo em que opõe também aproxima dois irmão de temperamentos diversos. Paul (Romain Duris) está em depressão depois do fim de seu relacionamento enquanto Jonathan (Louis Garrel) se aventura pelas ruas de Paris ao lado de garotas. O roteirista e diretor Christophe Honoré é herdeiro direto da nouvelle vague, tanto nos temas em que aborda quanto na forma de seus filmes. São dele também os ainda inéditos nos cinemas brasileiros “Canções de Amor” e “Ma Mère”. A trilha sonora inclui 4 ótimas canções, entre elas um ótimo rock do Metric e um hino dos anos 80: “Cambodia”, de Kim Wilde – pra cantarolar no banheiro!

 

 

Piaf – Um Hino ao Amor

“Piaf – Um Hino ao Amor” não é a cinebiografia do ano para mim, mas com certeza será a mais premiada na temporada de prêmios. O filme de Olivier Dahan tem o magnetismo e o alcance da vida da cantora Edith Piaf, porém, peca ao transformar cada momento da vida dela em puro espetáculo. O objetivo é emocionar e quem ganha com isso é a atriz Marion Cotillard (“Um Bom Ano”, “Peixe Grande”) que, podem apostar, é uma das favoritas ao cobiçado Oscar de melhor atriz.

(Indicado para o Oscar de melhor atriz - Marion Cotillard, figurino e maquiagem)


Escrito por Anderson Vitorino às 01h17



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Anderson Vitorino, 29, apaixonado por cinema, iniciou-se na dramaturgia aos 13 anos num curso de teatro. Desde lá, desenvolveu enorme fascínio pelas histórias e imagens. Estudou cinema e aprofunda-se em direção, escrita de roteiro e textos. Escreveu e dirigiu o curta-metragem Jurema, Te Amo!, 2003. Atualmente cursa Letras na USP e ensaia o seu primeiro espetáculo em São Paulo "Te espero na última plataforma".

Contato pelo e-mail:
andervitorino@gmail.com

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