Em 1992 um promissor jovem americano abriu mão de sua carreira e da estabilidade social e financeira para viajar por seu país e chegar até o Alasca. Resumidamente, essa é a história de Christopher McCandless, que trocou as convenções sociais pelo imprevisível encontro com a natureza. A aventura de Christopher virou livro – já lançado no Brasil – pelas mãos do jornalista, escritor e alpinista Jon Krakauer.

 

O ator e diretor Sean Penn (“A Promessa”) esperou cerca de 10 anos pela permissão da família para que a história de Christopher fosse levada às telas. Muito mais que um road movie óbvio em que a própria viagem modifica a vida de quem pega a estrada, “Na Natureza Selvagem” tenta capturar a transformação interna do personagem a partir do contato com a natureza e com diferentes pessoas ao longo de seu caminho.

 

O roteiro do filme, escrito por Penn, não é linear e intercala momentos de Christopher já no Alasca com partes do percurso e ainda narrações de sua irmã sobre o passado da família. Assim, possíveis razões para a escolha do jovem vão sendo reveladas e contrastadas com a dor da família pela ausência de notícias do querido ente. Dessa forma, o movimento do filme é circular, ao mesmo tempo em que o filho deixa a família ele está sempre presente e, além disso, podemos ver a experiência de Christopher como um esforço de volta ao natural, ao original.

 

Para contar essa história Sean Penn escalou um grande elenco, desde o protagonista, interpretado pelo talentoso Emile Hirsch (de “Alpha Dog” e o futuro “Speed Racer” nos cinemas), até aos seus coadjuvantes, vividos por atores como Marcia Gay Harden, William Hurt e pelo famoso ator de TV Hal Holbrook – indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante. E por falar em Oscar, o filme concorre também à estatueta de melhor montagem.

 

Em contraposição à narração da irmã McCandless, a fotografia de “Na Natureza Selvagem” investe pesado em planos sem diálogos em que o que mais importa é a interação do homem e seu meio. Nesse momento também surge a belíssima trilha sonora, composta por Eddie Vedder (vocalista do Pearl Jam), que resgata, assim como vários outros filmes contemporâneos, a tradição do folk americano e nos remete ao universo do western em que homens se embrenham pela natureza inóspita e aprendem muito de si mesmos.

 

Na Natureza Selvagem, de Sean Penn

(Into The Wild, EUA, 2007)

Com: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Hal Holbrook


Escrito por Anderson Vitorino às 14h58



 

Uma comédia independente?  Um drama engraçadinho? Independente do rótulo aplicado ao filme, “Juno” se sai bem e ainda restabelece o nível de produções com tais ambições. Franco favorito ao Oscar de roteiro original, o novo filme do canadense Jason Reitman (“Obrigado por Fumar”) concorre ainda nas categorias: melhor diretor, melhor filme e melhor atriz.

 

“Juno” só pode ser considerado um filme independente dentro das lógicas do mercado norte-americano, visto que um custo de  mais de 7 milhões de dólares não é nada baixo para os padrões brasileiros, por exemplo. O filme já rendeu mais de 125 milhões de dólares só nos EUA e o braço independente da Fox (Fox Searchlight Pictures) já comemora o seu filme mais rentável de todos os tempos.

 

Quase tudo no filme é bastante elogiável. Desde seu roteiro, escrito pela estreante Diablo Cody – ex-stripper e blogueira, até seu elenco, encabeçado pela ótima Ellen Page (“MeninaMá.Com” e “X-Men: O Confronto Final”), que ainda tem ao seu lado o jovem Michael Cera (“Superbad – É Hoje”), no papel do adorável nerd que faz par romântico com Juno.

 

A comparação com o histriônico “Pequena Miss Sunshine” é superficial, porque “Juno” não trata os personagens e seus dramas como estereótipos para transformá-los em risadas fáceis no cinema. O drama enfrentado pela garota de 16 anos que engravida e decide ter o filho para doá-lo a um casal realmente interessado se mescla ao gênero cômico justamente na medida em que empresta vida e profundidade aos seus personagens, ao invés de ridicularizá-los.

 

O universo dos adolescentes é abordado com extrema lucidez, sem resvalar para interpretações fatalistas e padronizadas, dando espaço assim para a individualidade mesmo dentro de segmentos tais como os garotos do time de futebol ou a turma das líderes de torcida. Do “alto” de sua idade (16), Juno se mostra uma garota madura e que consegue às vezes confrontar a imaturidade de alguns adultos do filme.

 

Juno toca violão e tem uma banda e por isso a música também dá o tom do filme. O CD da trilha sonora, que tem como principal compositora a ex- Moldy Peaches, Kimya Dawson, alcançou o topo de vendas da categoria nos EUA. Canções de Belle and Sebastian, Velvet Underground e The Kinks também embalam o divertido drama.

 

Juno, de Jason Reitman

(idem, EUA/CAN/HUN, 2007)

Com: Ellen Page, Michael Cera, Allison Janney, JK Simmons


Escrito por Anderson Vitorino às 14h53



Esqueça a pequena miss

 

 

“Comédia independente indicada ao Oscar pode cheirar ao bobo "Pequena Miss Sunshine". Nem pensar. Transformar drama em comédia é algo bem mais sofisticado. Compare.” (Leandro Fortino, na Folha de S. Paulo hoje)

 

Em breve escrevo sobre “Juno” (foto) aqui. O filme estréia na próxima sexta-feira.


Escrito por Anderson Vitorino às 20h36



 

O principal atrativo do romance com pitadas musicais “O Som do Coração” é o seu elenco. O astro mirim Freddie Highmore (“Em Busca da Terra do Nunca” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate”) é quem encabeça o time, seguido por Jonathan Rhys Meyers (“Match Point”) e Keri Russel (protagonista da série televisiva “Felicity”).

 

No filme, o jovem Evan/August (Freddie Highmore) é fruto de uma noite de amor de dois músicos na década de 80. Ele, um roqueiro (Jonathan Rhys Meyers) e ela, uma violoncelista. O pai da garota resolve doar o neto e esconder da filha a sobrevivência do garoto, que para sua mãe, não sobreviveu a um acidente. Anos mais tarde, em Nova York, mãe, pai e filho estão a um ponto do encontro, ajudados pela música.

 

Pelo meio do caminho o August encontra o Mago (Robin Williams) que na verdade é quem lhe dá esse nome artístico – August Rush. Robin Williams, representando o mesmo papel caricato e supostamente engraçado mais uma vez, afirmou que se inspirou no cantor Bono Vox para compor seu personagem.

 

A diretora do filme é a irlandesa Kirsten Sheridan, filha de Jim Sheridan (“Terra dos Sonhos” e “Em Nome do Pai”). Ela colaborou com o pai e a irmã no roteiro original, e indicado ao Oscar, do filme “Terra dos Sonhos” (2000), sobre uma família irlandesa que emigra para Nova York.

 

“O Som do Coração” figura entre os indicados ao Oscar de melhor canção original por “Raise it up”, interpretada no filme pela atriz Jamia Simone Nash e pelo grupo teatral formado por afro-americanos, Impact Repertory Theatre. A música é cantada como uma canção gospel dentro de uma igreja e serve como inspiração para o personagem de Freddie Highmore.

 

O filme tem bastante apelo comercial, como a história de amor interrompida, músicas românticas, criança buscando pelos pais e o “engraçado” Robin Williams. Porém, “O Som do Coração” só deve mesmo agradar os espectadores que não se importam com aquela chata sensação de déjà vu.

 

O Som do Coração, de  Kirsten Sheridan 

(August Rush, EUA, 2007)

Com: Freddie Highmore, Jonathan Rhys Meyers, Keri Russell e Robin Williams


Escrito por Anderson Vitorino às 18h44



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Anderson Vitorino, 29, apaixonado por cinema, iniciou-se na dramaturgia aos 13 anos num curso de teatro. Desde lá, desenvolveu enorme fascínio pelas histórias e imagens. Estudou cinema e aprofunda-se em direção, escrita de roteiro e textos. Escreveu e dirigiu o curta-metragem Jurema, Te Amo!, 2003. Atualmente cursa Letras na USP e ensaia o seu primeiro espetáculo em São Paulo "Te espero na última plataforma".

Contato pelo e-mail:
andervitorino@gmail.com

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