Michael Moore talvez seja o documentarista mais conhecido em todo o mundo atualmente. Depois de “Tiros em Columbine” (2002) e “Fahrenheit 11 de Setembro” (2004) – filme que o permitiu proferir um polêmico discurso anti-Bush com um Oscar nas mãos – o novo alvo de sua crítica é o sistema de saúde dos Estados Unidos.

 

Em “SOS Saúde”, Moore exercita seu estilo de documentário único e bastante questionado. O diretor domina muito bem os recursos cinematográficos (som, entrevistas, narração, montagem) que lança mão para atacar seus desafetos, no caso, o sistema de saúde americano, dominado, assim como no Brasil, pelas empresas de plano de saúde.

 

O deboche e a ironia são ferramentas recorrentes do arsenal de Moore e ele não poupa esforços para usá-los. Alguns jornalistas, críticos e detratores do diretor afirmam que há inclusive informações e dados errados nos filmes. “SOS Saúde” é narrado e comentado por Moore, que em comparação a “Tiros em Columbine”, por exemplo, até resguardou um pouco sua imagem, mas não a voz.

 

A organização das idéias é didática, linear, e o filme é claramente dividido em 3 partes. Num primeiro momento, alguns americanos que atenderam uma convocação no site de Moore (michaelmoore.com) relatam os problemas causados por suas seguradoras de saúde. Na segunda parte a equipe do filme visita hospitais no Canadá, Inglaterra e França. Por fim, o diretor leva doentes americanos para uma inusitada visita à ilha cubana, onde o sistema de saúde é exemplar.

 

Documentários, na maioria das vezes, primam pela investigação. Talvez seja justamente aí que Moore comete uma grande “falha” ética, além, claro de colocar entrevistados em situações constrangedoras. O diretor fecha os olhos para a multiplicidade de fatos que geralmente envolvem uma questão. A popularidade de seus filmes decorre principalmente dos temas urgentes e contemporâneos abordados e também da posição “à esquerda” de Moore. Porém, vale lembrar que recursos cinematográficos já foram satisfatoriamente manipulados por ideologias extremistas.

 

SOS Saúde, de Michael Moore

(Sicko, EUA, 2007)


Escrito por Anderson Vitorino às 12h51



 

A fronteira entre México e Estados Unidos é um dos pontos mais quentes do planeta. E não me refiro aqui apenas ao clima. Naquela região, pululam conflitos sociais, manifestações culturais e acontecem histórias que já foram parar nos cinemas diversas vezes.

 

“Desaparecidos”, dirigido pelo alemão Marco Kreuzpaintner, começa na Cidade do México, mostrada como uma caótica terra de ninguém. Infelizmente, vários personagens mexicanos foram retratados como estereótipos já explorados a exaustão pelo cinema. O elenco principal – Kevin Kline e os jovens Paulina Gaitan e Cesar Ramos – dão dignidade ao filme, que tropeça entre o melodrama e o thriller.

 

É em território americano que a trama se desenvolve. A história envolve exploração sexual, drama familiar e a relação entre norte-americanos e mexicanos também é de certa forma tocada, vide o contato entre o personagem de Kevin Kline e o do jovem Cesar Ramos, que tenta resgatar a irmã. Porém, a escolha por misturar drama e suspense é mal conduzida e isso acaba diminuindo o interesse no relacionamento entre os personagens.

 

O filme não chega exatamente a irritar ou incomodar o espectador por causa de alguns clichês, mas talvez funcione melhor na televisão. A montagem é rápida e a fotografia privilegia cores fortes e a luz estourada (técnica contemporânea, bastante utilizada em filmes como “Cidade de Deus”). A trilha sonora, por sua vez, mistura músicas tradicionais mexicanas com elementos eletrônicos.

 

Desaparecidos, de Marco Kreuzpaintner

(Trade, ALE/EUA, 2007)

Com: Kevin Kline, Paulina Gaitan e Cesar Ramos


Escrito por Anderson Vitorino às 12h49



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Anderson Vitorino, 29, apaixonado por cinema, iniciou-se na dramaturgia aos 13 anos num curso de teatro. Desde lá, desenvolveu enorme fascínio pelas histórias e imagens. Estudou cinema e aprofunda-se em direção, escrita de roteiro e textos. Escreveu e dirigiu o curta-metragem Jurema, Te Amo!, 2003. Atualmente cursa Letras na USP e ensaia o seu primeiro espetáculo em São Paulo "Te espero na última plataforma".

Contato pelo e-mail:
andervitorino@gmail.com

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