Foi com uma sensação de vertigem que saí do cinema após a exibição de O Silêncio de Lorna, dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. Quem conhece o cinema feito pelos dois (O Filho, A Criança) pode dizer: ah, claro, com aquela câmera na mão, frenética, é normal sair assim da sala. Mas aqui, são as ações e os sentimentos que desestabilizam personagens e espectadores, não a câmera.

 

Numa cidade da Bélgica, uma jovem imigrante pagou pela cidadania européia ao se casar por conveniência com um dependente químico que tenta abandonar o vício. Estamos em um mundo onde o dinheiro rege absoluto, mas no universo dos Dardenne (assim como na vida?) nada é muito simples. Assim, os personagens estão sujeitos aos impulsos e aos sentimentos. A jovem de origem albanesa consegue sua cidadania, mas continua presa àqueles que a ajudaram na farsa – a máfia?

 

Com uma crueza e economia típicas de seus filmes, os irmãos Dardenne guiam o espectador, sempre muito próximo dos personagens, numa montanha-russa sem fim, onde parece ser proibido gritar. Em O Silêncio de Lorna há pouco espaço para as realizações individuais e o afeto surge nos momentos menos esperados. O filme foi o vencedor do prêmio de melhor roteiro no último Festival de Cannes. Imperdível!

 

O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna, BEL/ING/FRA/ITA/ALE, 2008, 105’)

Direção: Jean-Pierre e Luc Dardenne

Elenco: Arta Dobroshi, Olivier Gourmet, Morgan Marinne, Jérémie Renier

 

Próximas exibições na Mostra:

18/10 – Reserva Cultural (22h20)

20/10 – Cine TAM (21h)

24/10 – Espaço Unibanco (17h10)

26/10 – Espaço Unibanco Pompéia (22h)


Escrito por Anderson Vitorino às 00h52



Acredite: ainda existem índios no Brasil

 

Não é segredo para ninguém que os índios brasileiros estão em extinção e que esse processo começou há mais de 500 anos. Mas hoje, tudo parece muito normal e mal ouvimos falar, e mal pensamos, nesses índios. O maior mérito de Terra Vermelha talvez seja exatamente esse: a forma como tratamos essas pessoas não é normal, não é natural. Há um problema aí.

 

O diretor Marco Bechis nasceu em 1955 no Chile, morou em Buenos Aires, São Paulo e, durante os anos de ditadura militar, emigrou para a Itália. Seu primeiro longa é Alambrado (1991), seguido por Garage Olimpo (1999), selecionado na 23ª Mostra. Filhos (2001) foi exibido na 27ª Mostra. Em 2004, fundou a Karta Film e começou a produção de Terra Vermelha, seu primeiro longa-metragem também como produtor.

 

No filme de Bechis, não há uma visão paternalista sobre os índios, mas ao mesmo tempo é visível que eles estão do lado mais fraco da história – ou da História, do lado de fora das cercas. A trama parte da onda de suicídios de jovens indígenas que assolou aldeias, principalmente, do Mato Grosso do Sul. Pouco se falou, pouco se concluiu sobre o fato e poucos se lembram. Terra Vermelha acompanha a tentativa de sobrevivência de um grupo de indígenas que, se nega a permanecer dentro de uma reserva isolada e sem recursos naturais.

 

O filme aponta os problemas, os embates, as diferenças. Nada de respostas fáceis, até porque essa não é a função do cinema, ou da arte. Em Terra Vermelha também há lugar para a semelhança, pois nas cidades, aparentemente distante do meio “rural”, quem não se encaixa no utilitarismo do modo de produção, está sendo cada vez mais isolado, oprimido e subjugado – diferente daqueles índios do filme?

 

Parece que, porque existe a FUNAI, o IBAMA e as tais reservas indígenas, está tudo resolvido. Mas o que o filme aponta, a partir de uma dramatização, é que há muitas questões por trás dessa expansão para o interior do Brasil e desse tal desenvolvimento técnico-agrícola.

 

Terra Vermelha foi exibido na cerimônia de abertura da 32ª Mostra Internacional de Cinema, depois de passar pelo Festival de Veneza como um dos filmes mais comentados e surpreendentemente sem nenhum prêmio.

 

 

Terra Vermelha (Birdwatchers, ITA/BRA, 2008, 108’)

Direção: Marco Bechis

Elenco: Alicélia Batista Cabreira, Abrísio da Silva Pedro, Leonardo Medeiros, Mateus Natchergaele

 

Próximas exibições na Mostra:

21/10 – Reserva Cultural (18h10)

29/10 – Cine Bombril (20h)


Escrito por Anderson Vitorino às 00h13



Mostra Internacional: Foi dada a largada do evento que traz Benício Del Toro e Wim Wenders a São Paulo

 

Na manhã de sábado, 11 de outubro, foi dada a largada da 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A tradicional Central da Mostra (no Conjunto Nacional da Av. Paulista) já vende pacotes especiais para o maior evento cinematográfico da capital paulistana. Em coletiva para jornalistas, os organizadores Leon Cakoff e Renata Almeida apresentaram as principais atrações da Mostra.

 

Na próxima quinta-feira, 16, em sessão para convidados, será exibido Terra Vermelha (Birdwatchers), co-produção Brasil/Itália, dirigida por Marco Bechis e estrelada por Alicélia Batista Cabreira, Abrísio da Silva Pedro, Leonardo Medeiros, Mateus Natchergaele, Chiara Caselli, entre outros. O filme foi um dos mais comentados no último Festival de Veneza e também, segundo Cakoff, o mais injustiçado, já que saiu sem nenhum prêmio. O diretor e elenco estarão presentes na cerimônia no Auditório Ibirapuera.

 

No dia 17 o evento será aberto ao público e mais de 400 filmes estão previstos, assim como palestras, debates, retrospectivas e shows. Dezenas de convidados especiais estarão presentes no evento, como o cineasta argentino Pablo Trapero, que terá uma retrospectiva de seus filmes, incluindo o mais recente Leonera, e o ator Benício Del Toro, que apresenta Che, de Steven Soderbergh, filme de encerramento da 32ª Mostra no dia 30 de outubro. O diretor alemão Wim Wenders também marcará presença no evento com seu novo trabalho, The Palermo Shooting, e aceitou a Carta Branca para selecionar 15 filmes, entre clássicos e recentes, que serão exibidos durante as duas semanas da Mostra.

 

Além das tradicionais seções Novos Diretores, Perspectiva Internacional e Festival da Juventude, na qual filmes são exibidos gratuitamente (Cine Bombril e Cine Olido), a Mostra Internacional apresenta três retrospectivas especiais: filmes raros do início da carreira de Ingmar Bergman, no ano em que ele completaria 90 anos, exibição da obra de Kihachi Okamoto (1924 – 2005), símbolo de uma era de ouro do cinema japonês e uma apresentação especial de filmes de Hugh Hudson (Revelação) que também compõe o júri do Festival.

 

Além do cineasta britânico Hugh Hudson, fazem parte do júri o cineasta brasileiro Jorge Bodanzky, o produtor alemão Meinolf Zurhorst, o produtor e diretor francês Nicolas Klotz e a diretora iraniana Samira Makhmalbaf.

 

Vale ressaltar que será possível ver em cópia restaurada todos os episódios da obra-prima Berlin Alexanderplatz, de Rainer Werner Fassbinder, série de 1980 realizada para a TV. Além disso, a Mostra também traz uma cópia restaurada de O Poderoso Chefão e exibe em primeira mão o novo documentário de José Padilha, Garapa.

Durante a coletiva de imprensa foi apresentada a nova identidade da Mostra Internacional, criada pela artista Tomie Ohtake, que assinou pela terceira vez o cartaz do evento. A premiação acontece no dia 30 no SESC Pinheiros e será seguida por show da atriz e cantora portuguesa Maria de Medeiros. Para mais informações sobre preços de pacotes e ingressos e programação completa, acesse o site oficial da Mostra: www.mostra.org.


Escrito por Anderson Vitorino às 09h12



ICArabe faz sessão especial no Brasil com o diretor libanês Maher Abi
Samra e homenageia Mahmoud Darwish

 
 
O Icarabe, em parceria com o Unibanco Arteplex, traz ao Brasil o
diretor libanês Maher Abi Samra, vencedor do Prêmio Júri de Melhor
Curta no 13º Festival "É Tudo Verdade", de 2008. O ICArabe promoverá
uma sessão dupla seguida de debate com o diretor. Serão exibidos o
documentário Roundabout Shatila e o curta premiado Apenas um Odor.
 
O filme foi também premiado com o 'Golden Dove', prêmio máximo do
Festival Internacional de Documentário e Animação de Leipzig, pelo
Júri Internacional para Filme Documentário.
 
Segue um trecho da crítica que recebeu: "A grande arte do diretor
libanês Maher Abi Samra - que já retratou uma imagem inteiramente
diferente do pesadelo palestino com seu 'Roundabout Shatila' - é a
habilidade de se afastar da superficialidade e colocar a essência dos
fatos no primeiro plano. Nesse caso, a remoção dos mortos após o
bombardeio. Transporte dos mortos através das ruínas de Beirute à
noite. Carregando uma caçamba com caixões. Um olhar de um barco ao
longe na costa do Líbano sobre uma cidade torturada. Um pequeno mas
grande filme".
 
Maher, nascido em Beirute em 1965, estudou teatro na Universidade do
Líbano e fez pós-graduação em estudos audiovisuais no Institut
National de l'Image et du Son in Paris. Trabalhou como fotógrafo para
jornais libaneses para as agências France Press e Reuters. É conhecido
pelos olhares que lança sobre a complexa realidade libanesa em um país
que ainda tem no seu interior uma busca por identidade, processo que
ocorre por meio da cultura e não raro por meio de lutas violentas e
guerras entre diferentes facções. O diretor também é autor de Women of
Hezbollah e Mariam.
 
A sessão contará ainda com uma breve homenagem ao poeta palestino
Mahmoud Darwish, falecido em 9 de agosto deste ano. Haverá leituras de
poemas do autor, em árabe e português, coordenadas pelo professor do
Departamento de Letras Orientais da USP, Michel Sleiman.
 
Data e horário: dia 14 de outubro, terça-feira, às 21h30
Local: Unibanco Arteplex, sala 4, r. Augusta, 1475, Cerqueira César
(próximo à estação Consolação do metrô)


Escrito por Anderson Vitorino às 09h08



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Anderson Vitorino, 29, apaixonado por cinema, iniciou-se na dramaturgia aos 13 anos num curso de teatro. Desde lá, desenvolveu enorme fascínio pelas histórias e imagens. Estudou cinema e aprofunda-se em direção, escrita de roteiro e textos. Escreveu e dirigiu o curta-metragem Jurema, Te Amo!, 2003. Atualmente cursa Letras na USP e ensaia o seu primeiro espetáculo em São Paulo "Te espero na última plataforma".

Contato pelo e-mail:
andervitorino@gmail.com

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