Um herói que pouco importa

Por Anderson Vitorino 22/10/2009 O início desse filme canadense, baseado em best-seller, aponta no caminho do suspense, já que não explica a primeira cena e embarca logo numa volta no tempo. Em vários outros momentos, o filme lança essa pista falsa, de que embarcaremos num possível thriller. Porém, O Cronometrista quer mesmo é explorar a experiência transformadora por qual passa seu protagonista, Martin Bishop (Craig Olejnik), jovem órfão que é levado a um acampamento para desenvolver a função de cronometrista. Essa espécie de jornada do herói em que é lançado o jovem poderia mesmo ser o principal ponto de interesse do filme, mas nem isso consegue manter o interesse real do espectador. Martin Bishop é um garoto bonito e bem vestido que destoa de todos os outros trabalhadores, responsáveis pela construção de uma ferrovia no meio de uma floresta. Protagonista e antagonistas são estabelecidos da forma mais rasteira e esquemática possível. Além disso, o “herói”, apesar da beleza física, não desperta nenhuma compaixão real no espectador, o que torna difícil a preocupação com ele frente às dificuldades que ele terá que encarar. Fora que o ator se mantém limpo e barbeado durante toda sua “jornada” nesse ambiente hostil e sujo. O desfecho é igualmente inverossímil e nem mesmo as músicas de Johnny Cash e Neil Young salvam o filme do fracasso. O difícil também é entender o motivo desse título fazer parte da programação da Mostra internacional. O Cronometrista (The Timekeeper) Canadá, 2009. 102 min Direção: Louis Bélanger Com: Roy Dupuis, Craig Olejnik, Julian Richings, Gary Farmer
Escrito por
Anderson Vitorino
às
23h41
|
Era mesmo pra rir? 
Por Anderson Vitorino 22/10/2009 O jovem diretor egípcio Marwan Hamed, nascido em 1977, dirigiu curtas-metragens e comerciais antes de estrear com o longa O Edifício Yacoubian em 2006 (Prêmio do Júri de melhor ator para Adel Iman na 30ª Mostra), premiado como melhor primeiro filme nos festivais de Tribeca, Nova York e Montreal. Hamed está de volta à Mostra com o filme Ibrahim Labyad, que segundo a sinopse, é baseado em uma história real. Aparentemente, o objetivo era fazer um filme com apelo comercial e mais acessível (digo isso sem ser pejorativo), mas nem assim consigo gostar dele. A história tenta dar conta da vida de um homem – o Ibrahim do título – que, quando criança, teve o pai assassinado na sua frente. Isso, claro, vai ser de certa forma a justificativa para a entrada do personagem no mundo violento das gangues das ruas do Cairo. Para agradar todo o tipo de público possível, o diretor tenta inserir momentos de tudo quanto é gênero cinematográfico. Há romance (ajudado pelo destino), aventura (com cenas de lutas risíveis), drama (ou dramalhão, por causa da interpretação exagerada) e comédia, claro. Aliás, esse é um dos pontos negativos que vi no filme. Ele faz rir quando, aparentemente, deveríamos sentir medo, tensão ou compaixão. É certo que já em O Edifício Yacoubian o estilo do diretor apontava na direção do tom novelesco, mas aqui o roteiro falha na criação de cenas dramáticas, talvez por não explorar mais a concepção do protagonista Ibrahim. E por fim, nada justifica as mais de duas horas de filme. Ibrahim Labyad Egito, 2009. 135 min Direção: Marwan Hamed Com: Ahmed El Sakka, Mahmoud Abdel Aziz, Hind Sabri, Amro Waked
Escrito por
Anderson Vitorino
às
23h40
|
Ken Loach dá aula de direção

Por Anderson Vitorino 22/10/2009 É sempre um prazer ver os filmes do inglês Ken Loach (1963), até mesmo quando ele emprega toda sua técnica para mais defender uma idéia do que fazer um filme. Em À Procura de Eric, motivado por sua paixão pelo futebol, Loach faz uma ótima comédia dramática, no melhor estilo inglês. Para isso ele contou com ótimos atores, um roteiro nunca previsível e o charme e a espontaneidade do mítico jogador de futebol francês Eric Cantona, que defendeu o Manchester United nos anos 90. Em suma, o filme trata da vida do carteiro Eric (interpretado pelo ótimo ator Steve Evets) que está se afundando numa depressão por não saber como lidar com o passado e nem com os filhos adolescentes. Os amigos tentam ajudá-lo, mas é só a partir de um baseado que as coisas começam a clarear. O grande ídolo de Eric, o carteiro, é quem vai realmente contribuir para a virada de sua vida. Entra em cena Eric Cantona, como ele mesmo. O charmoso jogador francês não decepciona e usa sua espontaneidade e citações para emprestar humor ao filme. O mais admirável em À Procura de Eric, além da humanidade e sensibilidade com que todos os personagens são tratados, é o ritmo imposto pela direção. Ken Loach faz rir e logo depois já segura o riso para dar lugar à tensão, emociona e depois volta ao riso agradável. Aos 73 anos o diretor se mostra extremamente jovem e contemporâneo ao incluir temas atuais e fatos polêmicos em seu filme sem fazer estardalhaço ou discurso. À Procura de Eric (Looking for Eric) Inglaterra/França, 2009. 116 min Direção: Ken Loach Com: Steve Evets, Eric Cantona, Stephanie Bishop, Lucy-Jo Hudson, Gerard Kearns, Stefan Gumbs
Escrito por
Anderson Vitorino
às
17h10
|
|